terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Resultados dos Exames da 12ª Classe Revelam Falsidades

Os resultados dos exames da 12ª classe 2008, 1ª época, começaram a ser divulgados, sábado, 27/12. A hora em que escrevo este apontamento, as reacções vindas de diversos sectores da sociedade moçambicana que me chegam através dos jornais electrónicos, conversas telefónicas e outras, apontam para uma situação de tristeza, de caos.
Ainda no sábado quando alguns colegas residentes cá em Aveiro souberam dos resultados das escolas secundárias Josina Machel e Francisco Manyanga, na cidade de Maputo, trataram de conversar comigo sobre o assunto e perguntavam-me se o ensino não estava em crise em Moçambique. Sei que esta é a questão de momento e deve estar a preocupar muita gente. O ensino está ou não em crise?
Antes de responder a esta questão, queria, primeiro, observar o seguinte: (i) esta é última classe do ensino secundário geral, aquela que antecede o ensino superior. Isto pressupõe que o graduado da 12ª classe possui competências básicas requeridas no ensino secundário geral e, consequentemente, está apto para enfrentar as exigências de um ensino universitário; (ii) a avaliação (através de testes e outras formas) é o instrumento de medição do rendimento dos alunos e dos professores (?); (iii) os exames são nacionais (e há muito que os professores de todo o país não são ouvidos. Mas, infelizmente, há o mau hábito de se afirmar que os professores elaboram propostas que estão na base dos exames. É provável que professores de algumas escolas ainda o façam, mas imagino que não sejam representativos.); (iv) deixou de haver conselhos de notas, ou seja, os resultados do exames determinam a aprovação ou reprovação do aluno. Assim, o processo de formação desse aluno, o seu percurso é subvalorizado. Será que me faço entender? Quer dizer, na prática, o aluno da 12ª classe para além de COISIFICADO, ele é avaliado por um processo que não é transparente, por um modelo que lhe é desconhecido ou que não domina. ESTA É A PONTA DO ICEBERG deste sistema educativo. Depois há questões "submersas" como por exemplo a formação do professor.
Ora, se ao PROFESSOR é lhe exigida a apresentação de um aproveitamento pedagógico acima de 75% e ele fá-lo quase sempre com alguma falsidade à mistura, pois, geralmente, os resultados que eles apresentam não são reais, então o que é que se exige à MÁQUINA de correcção? Simples: por um lado desencadeam-se acções que impulsionam a falsificação dos resultados e, por outro, activam-se mecanismos de observação da fidelidade. O resultado está a vista: "MENTIRA"!
Os resultados dos exames da 12ª classe mostram que alguém mentiu durante todo o processo, durante todo o ano. Quem será? A máquina é tão COISA como o tratamento dispensado ao infortunado aluno. Para mim ou se alfabetiza a máquina de correcção dos exames para não nos envergonhar, ou então, que se dê mais poderes ao professor; poderes de observar e validar a observação que realiza durante o ano. Que não se olhe para o professor como se de criminosos se tratasse. Ninguém deve incentivar a falsificação das notas, através de ameaças e/ou outras formas de coação.
Acho que o processo de ensino, em Moçambique, é caracterizado por "mentiras" e aquilo que em gíria se chama "jogos de cintuta". Até a maldita máquina é intrusa. Então como é que ela se meteu nisso? Quem é o professor secundário que domina e utiliza a escolha múltipla nas suas avaliações? Porque é que entrou sem avisar? Pois deve ser o problema da máquina... sim, a máquina de correcção dos exames não possui diploma e faz-se de sabichona.
E agora: há ou não crise no ensino? Se os resultados dos exames não forem falsos (acredito que não o sejam), então podemos deduzir que estamos perante uma situação de crise, porque (i) os objectivos traçados pelo Ministério da Educação e Cultura não foram alcançados e (ii) há uma grande disparidade entre as notas dos exames e as médias das frequências, o que indicia falsidades na avaliação/classificação dos alunos durante o ano. Aliás, no ano lectivo 2007, a já "famosa" máquina de correcção dos exames tinha dado essa indicação. Sendo assim, não há mais nada a esconder. Vamos erguer a nossa cabeça pensante para produzirmos um ensino de qualidade, com professores e alunos que possam fazer do exame um momento de alegria e de prazer. Neste momento, os exames são um trauma e reproduzirão esse trauma se insistirmos que tudo está bem. Identifiquemos todos os problemas que afectam este sector e encontremos as respectivas soluções. A discussão está aberta.

5 comentários:

  1. Caro amigo Nobre, gostei muito do seu texto! Compartilho das suas idéias, pois acredito que avaliar é um processo contínuo e deve se estender a todos os atores que constituem uma instiuição de ensino. Um abraço, Cláudia

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  2. quero correcao de exame de matematica da 12classe 2009 1 epoca

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  3. voce sao of nao fazem nada para progressao da educacao isto e com este novo sistema de de paragem de 2 cadeira da 12 em que a pessoa deve escolher para fazer exame estarao a formar pessoas burras

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  4. posso ter guia de correcao dos exames 2010,2011,2012 primeira e segunda epoc

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  5. quero correcao de exames de quimica de 2008 a 2012 estou me preparando para os exames que se avizinham

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